JUIZ CAGÃO:

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15 de mai de 2012

Diário de um Dotô – Churrascaria e Pizzaria

Oi amigos lindos e formosos da nação Fundística, estamos aqui novamente para a alegria de poucos e tristeza de muitos, para trazer-lhes mais algumas das minhas experiências e opiniões do mundo jurídico pós aprovação no exame da OAB!

Em uma das postagens anteriores eu cheguei a comentar sobre o meu “preconceito” contra advogados que fazem todos os tipos de serviço, só que eu tinha me esquecido deste comentário, mas alguns leitores atentos e loucos pra que eu fale mal de alguém, me lembraram e pediram para que eu falasse sobre. Então vamo lá…

Realmente não vejo com bons olhos um advogado que atira para todos os lados, antes que você incauto e ignorante me pergunte o que é um advogado que atira para todos os lados (acreditem, ia ter gente que ia perguntar), eu lhe explico. O advogado que atira para todos os lados é aquele ser que te dá o cartão de visitas dele e tá escrito assim: Doutor Tomás Turbando e embaixo deste lindo e sugestivo nome encontra-se escrito, cível, criminal, previdenciário,  trabalhista, família… (as reticências foram colocadas propositalmente aqui, mas em alguns casos troca-se por ETC.)

Sim, olho torto pra um cara desses mesmo, e certamente fosse eu um cliente que necessitasse dos serviços de um advogado, JAMAIS contrataria um desses. Neste momento você poderia argumentar que tais advogados atiradores, podem ter uma grande experiência, podem ser grandes conhecedores do direito e fazer tudo com muita eficiência.

Concordo com você nobre amigo imaginário, porém, estes doutores até podem ter uma vida repleta de experiências, podem ter um conhecimento muito mais vasto, inclusive mais vasto que o meu, afinal eles tratam de causas de vários assuntos e podem com isso, saber um pouco de tudo. 

Só que eu faço a seguinte analogia: (absurda, mas que vai ser bem útil) quando você adentra em um restaurante com os dizeres: CHURRASCARIA E PIZZARIA, certamente vossa senhoria não vai sair deste local dizendo: “caralho foi a melhor pizza marguerita que eu comi na vida”, e também tenho certeza que não irá dizer: nossa, “mas que maminha suculenta, nunca comi melhor”.

Você nunca vai comer o melhor sushi naquele restaurante à quilo que você almoça todos os dias, e muito menos a melhor salada de frutos do mar neste estabelecimento, e sabe porque? 

Porque estes restaurantes não são especializados em porra nenhuma. Eles são especializados em servir comida, e não UM TIPO de comida. Isso não quer dizer que a pizza não seja boa e não te satisfaça, não quer dizer que você não vá apreciar a maminha, o sushi ou a salada de frutos do mar, você pode sair satisfeito, mas ciente de que encontrará melhores pizzas, aliás eu tenho uma teoria sobre a pizza, acho que pizza é igual sexo… até quando é ruim é gostoso! 



Agora, se você se dirigir ao Templo da Carne do senhor Marcos Bassi (olha a propaganda grátis aí gente) você terá a certeza que comerá a melhor bisteca fiorentina que já provou, se você for ao Kinoshita(propaganda grátis de novo, aceito permuta por jantar para 2 pessoas de graça), saberá que vai comer um sushi de qualidade ímpar, e assim acontecerá com a pizza e os frutos do mar quando você se dirige a um estabelecimento especializado.

E porque acontece isso? Porque esse pessoal é especialista no assunto! Mr. Bassi não precisa parar de cuidar da temperatura da churrasqueira pra verificar porque estão colocando pouco manjericão na pizza. O grande mestre Tsuyoshi Murakami não precisa parar de amolar a sua faca ginsu para ter que jogar mais água no caldo do feijão.

Mas se por acaso chegar algum cliente exigente com vivência no Japão e pedir algo “fora” do cardápio, o Murakami vai saber fazer, porque ele é especializado em comida japonesa, já o dono do restaurante por quilo pode até fazer também, mas antes ele vai ter que entrar no google pra saber do que se trata, e qual é o modo de preparo,  justamente porque ele faz de tudo, mas não é especialista em nada. Por isso que me especializei em uma área e nela pretendo continuar. 

Não estou dizendo com isso que nunca vou fazer um caso fora da área em que atuo, talvez, eventualmente eu faça uma causa trabalhista ou um inventário, mas não é essa a minha intenção, nem o meu foco. Porém, sei que com esta decisão eu posso me prejudicar financeira e profissionalmente. Afinal, poderia eu estar ganhando mais do que ganho hoje se tivesse aberto o meu leque (huummmmmm) de opções, e estivesse atuando nuquí… nuquiaparecesse  

Posso também estar fechando muito o mercado de trabalho para o futuro, porque vai que certo dia meu chefe pense: “quer saber, cansei do Livan, vou trocá-lo por uma advogada gostosa…” com isso eu tô fodido, e sem eira, nem beira. 

Agora, fosse eu um advogado “especialista em tudo”, certamente eu encontraria mais rápido uma vaga no mercado de trabalho, mas, sendo eu um cara de pouca visão mercadológica e focado em apenas uma área,  restrinjo as minhas opções profissionais. Alguns podem dizer: ah mas sendo especialista você pode exigir um salário melhor. Ok, posso exigir, mas isso não quer dizer que vão pagar, afinal, sempre vai ter algum especialista aceitando trabalhar por menos do que eu marquei na minha pretensão salarial. 

Assim, apesar dos riscos, concluí que prefiro ser o “advogado do escritório “Só Carne Assada” do que o proprietário do escritório “CHURRASCARIA E PIZZARIA”.

Até semana que vem seus lindos.Assinatura Livan

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