JUIZ CAGÃO:

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22 de mai de 2012

Diário de um Dotô – Vergonha Alheia

vergonhaAmigos lindos e unidos através do universo da juridicidade, mais uma vez estamos aqui pra contar um pouco da vida de um advogado em começo de carreira, e já lhes adianto que nem tudo são flores, aliás, quase nunca são flores. E um exemplo disso aconteceu nesta semana e que passo a narrar agora.    

Na coluna da semana retrasada eu falei um pouquinho mal dos servidores públicos da justiça, mas apesar disso eu disse que eles deviam ter os motivos deles para tanto desdém e arrogância, e um dos motivos que eu destaquei no texto é que muitos advogados fazem questionamentos idiotas para os serventuários.     

E como já dizia o “velho deitado”: O MUNDO GIRA… Ah e como gira meus amigos!     Sabe aquele tipo de caso que já não tem mais o que fazer? Em que você já embargou tudo o que poderia? Que você procurou todo e qualquer motivo só pra não se dar por vencido no processo?     

Então! Temos um caso desses!     

E quando a situação tá assim meu nobre, você parte para o desespero e tenta tudo o que dá, pede por uma intervenção divina, passa a torcer por um incêndio (sem vítimas) no cartório ou então vai lá (á pedido do seu chefe) e faz umas perguntas idiotas para o cartorário. Vale destacar apenas que o chefe não me comunicou se tratar de uma pergunta pra lá de sem nexo, mas que era apenas pra causar um tumulto.     

Logo de cara já imaginei,ué, mas pra essa pergunta eu nem preciso ir até o fórum para saber a resposta, mas sacomé né, manda quem pode e obedece quem tem juízo. E assim vestindo a mais maciça das caras de pau, vai lá o recém formado fazer tais perguntas.      

Cheguei e torci pra não ter ninguém na secretaria para que eu pudesse fazer a pergunta com um pouco mais de desenvoltura, mas como tudo tem que acontecer do pior jeito possível tinham uns 10 advogados na secretaria (não é exagero), quando vi o número elevado de pessoas decidi dar uma volta pelo fórum, passei até a cafeteria, tomei um suco, comi uma gordurosa porém saborosa coxinha de frango e voltei para a secretaria, lá chegando os 10 advogados haviam procriado e agora eles eram 30.        

Só pensei assim: FODEU!!!!!       

Assinei meu nome na lista, e fiquei esperando para ser chamado, torci muito para que o número de pessoas diminuísse, mas né, aqui é o Livan, e não diminuiu! Fui chamado, pedi o processo e aguardei… Com os autos em mãos esperei o maior tempo possível na esperança de que as pessoas saíssem de lá. Mas depois de tanto esperar decidi fazer as perguntas e OBVIAMENTE recebi um olhar de nojo e desprezo, acompanhado do seguinte comentário: “MAS DOUTOR, ESTA É UMA PERGUNTA PRA LÁ DE DESCABIDA!”      

Neste momento TODO MUNDO passou a olhar para mim, e eu busquei argumentar de modo plausível e até que me dei bem, mas a segunda pergunta era a pior de todas, mas eu tinha que fazer. RESPIREI e perguntei, e aí meus caros… aí a casa caiu!!        

Neste momento não era preciso ter o dom da leitura de pensamentos para adivinhar que dos 30 advogados, pelo menos 29 pensaram assim: ESSE CARA É BURRO PRA CARALHO! Mas tive que insistir na pergunta e foi neste momento que comecei a pensar se valia a pena ir preso por desacato.     

Sabe quando de tratam como imbecil? Foi bem isso! A servidora começou a dizer assim: olha doutor,isso é coisa básica do direito… doutor eu vou explicar só uma vez tá, presta atenção que a titia vai falar devagarzinho pra você entender tá…. (não teve essa coisa da titia, mas eu sou exagerado e dramatizo tudo)… Enfim, acho que alguns até sentiram pena de mim, outros pensaram, e esse cara passou na OAB.      Depois de tal fato, comuniquei meu chefe do ocorrido, e tive que aguardar uns 5 minutos até ele parar de dar risada e dizer que isso já era esperado. MUITÍSSIMO OBRIGADO CHEFE!!          

E como disse, este processo é um daqueles casos que não tem muito o que fazer, mas mesmo assim tive que despachar com o Meritíssimo, e adivinhem o que ele escreveu na minha petição?        

Começa com “INDE” e termina com “FIRO”!

Assinatura Livan

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