JUIZ CAGÃO:

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25 de jan de 2013

Diário de um Doutor – Começar é difícil

ComeçarSalve! Salve! Depois de algum tempo adormecida, tal qual uma fênix ressurgindo das cinzas, está de volta a coluna que retrata o dia a dia de um advogado em início de carreira. E todo começo é difícil, conseguir um emprego já é complicado, atingir o sucesso nos primeiros anos, quase impossível.

Necessito dizer que como advogado recém aprovado na OAB você não vai ficar rico do dia pra noite, se quiser riqueza sem muito esforço, sugiro que mude de profissão, sei lá, tente escrever uma música com tchêrere tchê tchê, bará bará berê ou tchu tchã tchá que as chances de ganhar uma boa grana é alta.

Venho sentindo na pele essa dificuldade em enriquecer, e vez ou outra me bate aquele desespero de achar que não vou conseguir comprar minha Ferrari antes dos 35 anos.

Sabe aquela piadinha que a galera faz com o “se tá ruim pra você, imagina para...”? Então, sem fazer piada e sem querer parecer mais arrogante do que eu já sou, eu poderia dizer o seguinte: se tá ruim pra mim que trabalho no mesmo escritório há mais de 6 anos, tenho pós graduação em Tributário e estou cursando um MBA, imagina pra quem se formou e tá desempregado?

Depois de dois anos de aprovado na OAB eu posso dizer uma coisa, seus títulos não vão lhe servir de nada neste momento, porque por mais conhecimento que você possua, por mais que tenha sido um excelente aluno e seja melhor que muito advogado com muitos anos de experiência, o número da sua OAB vai pesar. E VAI PESAR MUITO!!!!

Todo e qualquer escritório vai usar esse artifício para te pagar um salário baixo, afinal você não tem experiência, todo e qualquer cliente que você for conversar vai tentar jogar isso na sua cara pra que o valor de seus honorários seja reduzidos. E posso dizer isso com propriedade, pois vivi isso alguns dias atrás.

Poucos sabem, mas sou associado de um dos melhores escritórios(senão o melhor) em Contribuições Previdenciárias no Brasil e além disso dei uma puta sorte, pois tenho uma enorme liberdade de atuar em causas “particulares” e assim sendo resolvi dar o maior passo que minhas pernas lindas e musculosas poderiam dar. COMPREI UMA SALA E MONTEI MEU ESCRITÓRIO.

Assim, comprei a sala, na verdade, compramos, pois tenho um sócio nessa nova empreitada, mas por enquanto só compramos a sala, porque montar o escritório são outros quinhentos, a sala ainda tá no contra piso, e o dinheiro pra terminar a sala e colocar móveis lá dentro acabou!

Mas mesmo assim, a gente já corre atrás de alguns clientes, mas até agora o sucesso do escritório é nulo (espero que isso mude com a sala devidamente concluída) e dias atrás um cliente em potencial nos procurou para uma reunião, haja vista que ele estava querendo trocar de advogado.

Chegamos na reunião com os nossos melhores ternos, apresentamos o escritório (que ainda nem existe) e o cliente começou falar que queria um escritório que desse uma atenção maior, que ele não queria ligar pro advogado pedindo pra apagarem um incêndio, ele queria evitar o fogo e tal. E logo em seguida disse: e aí eu decidi procurar por vocês que ESTÃO COMEÇANDO AGORA!

Nesse momento um pequeno balde de água fria imaginário caiu sobre a minha cabeça, pois percebi que ele não estava procurando um escritório por conta de apagar incêndio, ele queria era pagar menos.

Descobrimos por conta de alguns contatos que a conta com o escritório atual girava em torno de R$8.000,00 (oito mil reais) mensais, nós, cientes disso e desesperados para conseguir o cliente passamos um orçamento cerca de 40% abaixo do atual.

Alguns dias depois fomos chamados novamente para uma nova reunião, e já tínhamos a certeza que tudo ia girar em função de “baixarmos os preços”, numa conversa antes da reunião fixamos um valor mínimo: por menos de 4 mil a gente não fechava nada. Era muita coisa pra fazer e menos que isso seria inviável.

Entramos na reunião e antes do boa tarde escutamos um “se baixar o preço a gente assina hoje”, explicamos a complexidade dos serviços, e tentamos manter o valor informado, não colou, baixamos para o nosso limite, não colou novamente e ali (mentalmente) eu dei por encerrada a reunião. Confesso que depois da recusa nos 4 mil eu parei de ouvir o que era dito, mas retomei os sentidos quando ouvi o seguinte: doutores, vocês estão começando, vamos fechar uma parceria que pode ser duradoura, vamos começar com um valor baixo e com o tempo a gente vai adaptando o contrato.

Perguntei o que seria um valor baixo e ouvi sem a menor cerimonia o seguinte: MIL E QUINENTOS REAIS!!!!

Me levantei, disse muito obrigado e parti!

AssinaturaLivan

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