JUIZ CAGÃO:

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22 de jan de 2013

Diário de um Eme Eme - Berdinazzi e Mezenga

imageConfesso que gosto de novelas, de algumas mais e de outras menos. A grande vantagem das novelas é que não precisamos assistir todo dia. Seu ritmo é tão lento que dá para assistir um pedaço e uma vez por semana que não perdemos nada.

E esta coluna é sobre a vez em que me vi em uma cena de novela das oito, daí o título Berninazzi e Mezenga. Berdinazzi e Mezenga eram rivais na novela o Rei do Gado por conta dos limites de uma cerca que marcava a propriedade de ambos.

Pois bem, esse escriba foi designado para uma determinada cidade do interior de São Paulo para ficar duas semanas. Mas o chato de tudo é que não havia trabalho no local (era uma vara nova).

No primeiro dia fiquei jogando paciência spider após fazer todo o “enorme” expediente em duas horas. No segundo dia já estava craque em vídeo game e não estava a fim de estudar.

Resolvi ligar no cartório e mandar subir todos os processos (como eu disse, era uma vara nova e havia poucos processos). Um deles me chamou a atenção, era uma ação possessória entre vizinhos pelos limites de uma cerca.

Pensei comigo: ah, isso é simples, vou marcar uma audiência de conciliação e resolvo em acordo.

Marquei a audiência para dois dias depois e fiquei aguardando.

No dia da audiência, fiz todas as observações de praxe: cumprimentei todos e falamos um pouco de amenidades. Daí começamos a falar sobre o caso.

Antes, porém, uma observação, o autor e o réu eram muito, mas muito ricos. E, também, gozavam de relativa idade (60 anos para mais). E, claro, eram inimigos. Daqueles inimigos que só o interior consegue produzir: inimigos nos negócios, na prefeitura, no amor, etc.

Então imagine a cena na sua cabeça: idosos, ricos e inimigos. E na frente deles: um garoto de 24 anos de idade. Não ia dar certo.

Quando eu fui falar sobre o caso, ambos me interromperam e começaram a falar na frente.

Respirei fundo, pedi que me ouvissem, e voltei a falar.

Falei três orações completas e novamente fui interrompido pela dupla. Cada um queria falar mais alto do que o outro e não me deixavam concluir nada.

Resolvi mudar de estratégia. Encarnei um buda e resolvi ouvir cada um deles. Talvez deixa-los falar me ajudaria a entender melhor.

Foi a pior besteira que fiz.

Enquanto um falava o outro atropelava a fala e aumentava a voz. Quando dei por mim, ambos estavam gritando um com o outro e eu dizendo: “Srs., por favor, calma. Aqui não é para isso”.

Eles foram elevando a voz e eu fui ficando bravo até que não aguentei.

Dei um tapa na mesa e gritei: Chega! Os srs. Estão expulsos da sala de audiência. Fora daqui.

Não sei se convenci, mas o fato é que aqueles senhores saíram correndo da sala tão rápido que nem percebi. Isso mesmo, literalmente saíram correndo e em uma velocidade que faria Usain Bolt repensar sua carreira de velocista.

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A cena foi tão inusitada que após a saída deles da sala eu olhei para os advogados, que olharam novamente para mim e nós três caímos na risada. Ficamos um bom tempo rindo da situação.

Quando nos recompomos ambos os advogados falaram que os clientes precisavam disso mesmo. Para aprender um pouco de respeito e compostura.

As vezes o juiz faz o que os advogados tem vontade de fazer com seus clientes.

GuilhermeMadeira

PS – Esta coluna tem por objetivo retratar o cotidiano de um juiz sempre com bom humor

PS2 – Para os temas jurídicos você pode ver o meu Blog: www.professormadeira.com

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