JUIZ CAGÃO:

Juiz tira um foto no banheiro pra mostrar que também é genteClique e leia

15 de jan de 2013

Diário de um EME EME – A chegada na comarca nova

Quando você á aprovado no concurso da magistratura fica um tempo na escola, como já disse na coluna passada (o júri). Esse período é variável e, no meu caso, durou 3 meses e meio.

Chegado o momento de ir para a comarca nova deparei-me com algumas questões fundamentais triviais para as quais eu ainda não tinha resposta.

A primeira questão era: como me locomover? Sim meu caro padawan, eu não tinha carro e nem grana para comprar um carro (isso só viria a acontecer com seis meses de escola, um Fiat Palio, financiado em 36 vezes...).

Bom, o que não tem remédio, remediado está: vou de ônibus e lá na comarca nova andarei de ônibus. Só faltavam alguns detalhes: e as malas? E o computador?

Novamente a sabedoria budista: se não tem solução, não tem problema.

Entrei no ônibus com o computador de mesa na mala e mais umas três malas de roupas e sapatos. Não pense você em laptop, pois não havia grana para esse tipo de coisa na época.

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Sei que você deve estar se perguntando qual era o salário à época. Bem, estamos falando de 1999 e o salário líquido de um juiz substituto à época era de nada mais nada menos que R$1780,00.

Sim meus caros, vocês leram corretamente. E eu ainda ajudava no sustento de parte da família. Daí vocês imaginem a pindaíba em que eu me encontrava.

O segundo problema era: onde ficar?

Eu não tinha grana para ficar em um bom hotel na cidade. Então, escolhi um dos mais baratos. O juiz que estava comigo brincava que eu morava no mesmo andar que o “Chico Farinha”, traficante da região. Evidentemente um exagero, pois no máximo alguns usuários moravam no andar...

O “Hotel” possuía preço diferenciado: se fosse quarto com TV era mais caro. E você não poderia pedir o quarto sem TV e levar uma para dentro, pois pagaria o mesmo preço que do quarto com televisão.

O fato é que eu adoro TV e precisava economizar na grana.

O pai da minha namorada na época me emprestou a televisão dele, mas eu tinha que economizar.

Não tive dúvidas, contrabandeei a tv para o quarto e quando o dono do hotel as vezes batia na porta e perguntava o que era aquele som eu dizia que era sonâmbulo e que falava sozinho.

É, as vezes a lei precisa ser quebrada para a nossa sanidade, mas só um pouquinho. E lembre-se, nem tudo é glamour no serviço público.

GuilhermeMadeira

PS – Esta coluna tem por objetivo retratar o cotidiano de um juiz sempre com humor

PS2 – Para os temas jurídicos você pode ver o meu Blog: www.professormadeira.com

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