JUIZ CAGÃO:

Juiz tira um foto no banheiro pra mostrar que também é genteClique e leia

2 de abr de 2013

Diário de um Eme Eme - Momento fofura: poesia na rua

borboleta e livroPrincipalmente por influência de meu pai e de minha mãe eu tenho uma forte ligação com a literatura. E, também por eles, tem uma forma peculiar de ver o mundo: eu sempre busco a magia das coisas.

Daí porque quando li em 2012 a notícia sobre o projeto para mudar a cara do 11 de setembro eu fiquei absolutamente empolgado. A ideia é a de que o onze de setembro não pode ficar marcado como uma data ruim e de que deveríamos dar uma nova cara a ele. Um pequeno pop up histórico meu padawan: se você chegou de marte hoje saiba que 11 de setembro é a data dos ataques às torres gêmeas dos EUA.

Pois bem, o projeto consiste em, no dia 11 de setembro, você deixar um livro que gosta em um local público para que as pessoas que passarem por ele o pegarem e o lerem. Elas também, se puderem e quiserem, deverão fazer isso com seus livros.

Eu era juiz em uma cidade do interior, chamei o prefeito e o presidente da câmara dos vereadores. Conversei com ele e perguntei se poderiam apoiar isso.

Todos ficaram entusiasmados e passamos a divulgar a ideia na cidade. Muitos compraram a ideia, outros não, mas sinto que foi um sucesso. Porém, o mais emocionante ainda estava por vir.

Nesta cidade eu fazia as audiências pela manhã para poder sentenciar e despachar a tarde. Lá pelas 10:30 a tia do café me chama no gabinete e diz que havia pessoas querendo conversar comigo lá fora do fórum (meu gabinete e a sala de audiências eram no segundo andar do fórum).

Falei para ela, D. Nega (esse era o nome dela), eu estou fazendo audiências, agora não dá. E ela, com uma voz rouca me disse: Dr. Madeira, acho melhor o senhor descer e sair lá fora para ver o que está acontecendo.

Fiquei preocupado e fui até a saída do fórum.

Quando lá cheguei, havia umas cinquenta crianças me esperando. Fiquei parado sem entender nada. As professoras se aproximaram e me disseram: Dr., são crianças da rede pública. São filhos de cortadores de cana que não tem dinheiro para comprar livros, portanto não tem livros para dar. No entanto, nós resolvemos participar e estamos, junto com as crianças, distribuindo trechos de poesia que elas escreveram em sala para todas as pessoas da cidade.

Tive que me conter para não abrir o berreiro e chorar como criança, fiquei muito, mas muito emocionado.

Foi um dos momentos mais bonitos da minha carreira. Agradeço até hoje aquelas crianças por isso.

GuilhermeMadeira_thumb[2]

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