JUIZ CAGÃO:

Juiz tira um foto no banheiro pra mostrar que também é genteClique e leia

23 de mai de 2013

Estudante de direito opta por vida de palhaço nas ruas

João trabalhando de palhaço no semáforo em Varginha (Foto: Reprodução EPTV)“Gentileza gera gentileza”, anuncia o palhaço João Nildo Liberato Heliodoro, de 20 anos, no semáforo de Varginha (MG) em uma tarde ensolarada. O jovem resolveu ser palhaço em uma época não muito engraçada da vida: morando em uma casa simples com os pais e o irmão de 13 anos, no Bairro Jardim Ribeiro em Varginha, ele ficou desempregado. Ao invés de reclamar das dificuldades, decidiu ir à luta e encarar tudo com bom humor. Assim começou a 'profissão' de arrancar sorrisos de motoristas no semáforo. Com o dinheiro, paga a faculdade de direito.

"Começou de uma brincadeira, não tinha nada para fazer no final de semana, aí resolvi ir para o semáforo e estou aqui até hoje", conta João. Ele, que já foi garçom e balconista, explica que poderia ter procurado um trabalho comum, mas decidiu ter um estilo de vida diferente.  "Não é muito diferente de quem trabalha de motoboy, servente, cada um tem seu modo de ganhar a vida, meu modo é esse".

Assim, todos os dias João trabalha nas ruas da cidade. De moedinha em moedinha, ele ganha a vida levando mensagens de otimismo, principalmente pra quem vive na correria do dia a dia, no estresse do trânsito. Nos 50 segundos do sinal vermelho, frases como "sorria, mesmo sem motivo" iluminam o dia de quem passa cheio de pensamentos obscuros. "Às vezes a pessoa está tão preocupada com as contas que não vê quem está na sua frente", explica o jovem. "É aquele negócio de falar bom dia para quem ainda não ouviu um bom dia, o fato de você ver o sorriso e mudar o dia dele. É isso que vale: o sorriso."

Após pintar o rosto com as cores do palhaço, João sai para o expediente declamando: "O dia hoje promete, o sol 'tá quente, vamos ver como 'tá o movimento, o pessoal tá me esperando”. O estudante fica cerca de cinco horas por dia no semáforo. À tarde, ajuda em casa, e à noite estuda.

As frases que exibe enchem o dia de otimismo. "É uma coisa boba, só que se você leva a sério, o negócio dá certo", anuncia em um ponto do dia. O malabarismo deixa as crianças encantadas, e um simples sorriso é capaz de mudar o dia até de quem acordou mal humorado. "É interessante, serve para distrair a gente. É muito legal", comenta o vendedor Fernando Carrero, parado no trânsito.

Nesses oito meses, o jovem diz que já conquistou o respeito dos motoristas. "Toda vez eu passo e dou sempre uma moedinha. Não é fácil ficar no sol quente", fala o motorista Mateus Rodrigues Soares. "É projeto de vida", fala o palhaço. "Muita gente encara como negócio de pedinte, mas eu estou aqui por opção".

E esse malabarismo todo que o João faz ainda tem outro motivo nobre. Cada centavo que ele conquista no sinal é para pagar a faculdade de direito. Ele está no segundo ano, e o sonho após terminar o curso é seguir a carreira jurídica. "Eu quero ser cônsul, o malabarismo não é para sempre", explica.

Na sala de aula, o exemplo de que com criatividade e força de vontade é possível chegar longe. “Quando você tem um sonho, não importa o que você precisa fazer pra chegar lá, não interessa se é moralmente aceito, você tem que correr atrás do seu sonho”, fala a professora de direito penal, Cristiane Gonçalves Teixeira de Paiva.

Enquanto isso, João continua colorindo as horas de quem ainda tem um longo dia pela frente. "O palhaço é aquele negócio, o personagem já nasce quando você pega o nariz e quanto mais alegre você estiver, mais a pessoa vai sentir a sua alegria", explica o artista do riso. E finaliza com uma frase para si. "Tudo na vida, se você leva a sério, dá certo".

Fonte: G1

Espalhe

Receba por e-mail

Organizações N.E.D.: Não Entendo Direito - Entendo Direito - Desenvolvido por Templateism