JUIZ CAGÃO:

Juiz tira um foto no banheiro pra mostrar que também é genteClique e leia

20 de jun de 2013

A difícil arte de decidir.

Quando o bacharel em direito “transforma-se” em advogado, infelizmente vem junto com a carteira funcional, uma série de dúvidas.  dois-caminhos1

Bom, como contei-lhes há algum tempo, eu tinha (do verbo joguei pro ar) um emprego estável, com salário razoável, com flexibilidade de horário e etc., e assim que passei na OAB pensei “E agora, José? Distribui alguns currículos, fiz entrevista em SP e fiquei pensando no que era melhor, ir pra São Paulo, abrir um escritório com uma amiga minha, ou me associar a um escritório já estabelecido?

A ilusão de “vou trabalhar em São Paulo” foi desaparecendo ao passo que eu percebia que não era lá que eu queria estar. Ganha-se melhor por lá? Sem dúvida! Mas, a minha qualidade de vida seria pequena. Outro ponto determinante, eu, assim como alguns de vocês que já trabalharam com público, aqui na minha cidade sou “conhecida”. Trabalhei durante mais de seis anos na assistência jurídica de um sindicato, portanto, existem reais possibilidades de algumas dessas pessoas me procurarem agora. Isso é o que alguns chamam de patrimônio pessoal. E pensando nesse tal patrimônio pessoal, eu me perguntava que raios de patrimônio pessoal eu teria em São Paulo? Desisti antes mesmo de ir.

Outra alternativa, era abrir um escritório com uma amiga, aqui na minha cidade, a fim de tentar captar clientes desse meu tal patrimônio pessoal. Era uma boa alternativa, entretanto, como disse acima, eu deixei o meu emprego, não tenho mais nenhum salário fixo, porém, não deixei de ter “contas fixas”.

Explicando melhor, para eu abrir o escritório eu deveria ter um caixa, para suportar todas as despesas do escritório, e mais as minhas despesas da vida “adulta” (leia-se água, luz, carro etc). Eu deveria ter um caixa, deveria, mas, não tenho! Ou seja, além de nãoo entrar mais nenhum valor fixo, a saída de dinheiro da minha conta seria ainda maior, considerando os novos gastos com o novo escritório.

Quando constatei isso meio que entrei em desespero e já comecei a elaborar mentalmente uma petição inicial pleiteando bolsa- advogado- novato, rá! Ei dilma olhai por nós

A alternativa que me pareceu mais viável, foi me associar. Associando-me ao escritório já estabelecido, ainda que eu tenha que dividir os honorários, pelo menos eu não teria gastos. Pode parecer uma decisão pautada somente no lado financeiro, e é!

Mentira, eu sai da faculdade sem ter feito estágio, um grande erro! Se eu pudesse dar um conselho aos estudantes de direito eu diria use filtro solar : Faça estágio! Ninguém sai da faculdade preparado para vida advocatícia. Ainda que a sua faculdade seja muito boa, ela não vai te preparar para a vida prática, pois, na prática, a teoria é outra.

Como eu não fiz estágio, não tenho bagagem, conhecimento, experiência e etc para tocar um escritório sozinha nesse começo. É preciso ter humildade de reconhecer as limitações. Vi muita gente saindo da faculdade, sem ter conhecimento prático, se aventurando nos fóruns e só fazendo m.....

E assim decidi o que fazer. Hoje faz 6 seis que terminei a faculdade e já sinto saudade da despreocupação dos primeiros anos. Alias, eu tinha alguma preocupação sim, eu me preocupava em arrecadar trocados para as cervejas que acompanhavam as intermináveis conversas no bar da faculdade, onde tínhamos planos de mudar o mundo, revolucionar o país, ou, apenas papos furados sobre a balada do final de semana.

Faculdade, saudade de você!

assinaturamari

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