JUIZ CAGÃO:

Juiz tira um foto no banheiro pra mostrar que também é genteClique e leia

1 de ago de 2013

Advogada cagalhona!

Estávamos todos do escritório na cozinha, tomando café, quando chegou um cliente “Criminal”. O Chefe já me destacou para a missão: Ah! A Mariana atende.

Larguei meu pãozinho quente, limpei a boca brilhante em razão da manteiga, e lá fui. Na recepção tinha tanta gente, todos para tratar o caso “Criminal”, que quase perguntei se eles organizaram excursão pra ir ao escritório. Me apresentei, pedi que todos me acompanhassem até a sala de reuniões. Feitas as apresentações do tipo esse é pai desse, aquela enteada da outra ali, essa aqui é vó do rapaz, passei a ouvir o caso.

 

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Os familiares, que tinham uma aparência meio estranha, já iniciaram a conversa me informando que não tinham dinheiro, mas que o preso tinha que sair “a qualquer custo”. Em seguida, passaram a dizer o que eu tinha que fazer no processo. Antes de falar um “dá licença, quem resolve o melhor meio sou eu” verifiquei a documentação.

Enquanto eu lia, os “clientes “ dispararam a falar com muita propriedade sobre Direito Penal, Processual Penal e Execuções Penais. Suspeito que eles sabiam mais até do que o próprio Guilherme Madeira. Falavam sem parar em LEP, do PP pra R.A na VEC, e mais um monte de expressões que me custaram alguns neurônios até me lembrar (ou até mesmo deduzir) o que eram.

Sinceramente, me senti meio com a faca no pescoço. Eles “exigiam” que eu libertasse o preso em dois dias. Expliquei que eu faria um pedido de progressão de regime, e não milagre.

Quando falei o preço, o sogro do preso se mostrou INDIGNADO, pois, havia recebido informações de que em Atibaia, os advogados trabalhavam por “ 500 conto”. Imediatamente respondi que ele fora enganado, afinal, aqui na minha cidade são todos mercenários. Mentira! Não falei isso, respondi que podia parecer brincadeira, mas, advogado também comia e tinha carnê das Pernambucanas pra pagar. Expliquei que o escritório não cobra abaixo da tabela, e que se ele quisesse um serviço baratinho, que fosse procurar outro advogado.

Na bem da verdade eu fiquei com medo. O conjunto da obra ali, aparência e jeito de falar, era bem pavoroso. A mulher do preso já havia entrado com “Agá Cê” , ela própria havia feito. Tinha conhecimento muito profundo sobre a área criminal, e também sabia como ninguém pressionar acuar advogado. Afinal, durante a consulta, usou 5 minutos para destacar os “problemas” ocorridos com a antiga advogada do preso.

No fim, desejei boa sorte ao preso, e dei uma de “Zero 2 pedindo para sair”. Indiquei uma colega, e falei para mulher do preso cursar direito, pois, ela sabia muito mais de penal do que muitos advogados que conheço.

Depois de atender a caravana do terror familiar, conclui que Área criminal é para os fortes, não pra mim!

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