JUIZ CAGÃO:

Juiz tira um foto no banheiro pra mostrar que também é genteClique e leia

12 de set de 2013

Despachando com o juiz

Quando eu era estudante, e ouvia a expressão “despachar com o juiz”, eu não fazia ideia do que era. Agora, já advogada, eu continuava a não sabendo do que se tratava. Descobri que não era convidar o juiz pra ir fazer macumba, há poucos dias atrás.

macumba

Eu estava com um caso complicado, aquele tipo de ação que requer conhecimento em diversas áreas do direito. Não bastasse isso, havia ainda uma urgência urgentíssima. Levei ao conhecimento do chefe, no que ouvi: “ Você vai precisar despachar com o juiz”.

Respondi que faria rapidamente o pedido, e que iria lá imediatamente.

Só esqueci o detalhe que eu não tinha muita informação sobre o que era o ato. Perguntei para meu boyfriend o que seria despachar com o Eme Eme. Sorte que ele me explicou com a mesma didática que se ensina uma criança a ir a primeira vez para aula.

Segui o rito conforme ele mandou. De posse da petição, bati na porta do gabinete do juiz, e falei para assistente que eu precisava despachar. Minha voz quase não saia, fui ficando vermelha, gaguejei pra responder se realmente era urgente o meu pedido. No meu íntimo, eu ficava cobrando uma postura, porque se com a assistente eu já tava entregando a minha condição de novata, imagina meu desempenho com o Juiz?

Fiquei um tempo esperando o juiz decidir se me atenderia ou não, nisso fui me recompondo. De repente ouvi “o chamado”, e já comecei a tremer toda.

Cumprimentei o Seu Doutô Juiz, me apresentei como advogada do caso urgente urgentíssimo. Dei uns segundos para ele ler o nome da parte, e fui surpreendida com a pergunta: O que você quer doutora? Quase respondi uma ferraria, uma mansão, e R$ 100 mil mensais, pra descontrair, masss, não ia ser bom pra minha imagem bancar a engraçadona.

Fui começar a responder, tive que tossir umas três vezes para a voz sair. Na quarta tentativa, expliquei detalhadamente a questão. O eme eme disse entender a minha urgência, mas, que de qualquer forma o MP teria que se manifestar.

No ímpeto de resolver o problema, fui falar com o Promotor. Para alguns advogados, a lei de Murphy é cruel, mas para advogadas mirins ela é avassaladora. Não basta ter que despachar com o juiz, tem que convencer o MP da urgência do seu pedido, no mesmo dia!

Sentei na porta da sala do Promotor, e lá fiquei um bom tempo esperando atendimento. Quando consegui, meu nervosismo tinha até passado. Falei, falei, falei, negociei, e com muito custo, sai de lá com uma certeza de uma manifestação favorável.

Dois dias depois, o juiz ainda não havia decidido nada. Voltei ao gabinete dele, agora de posse de uma petulância inocente, culpa da “novatice”, e pedi para falar com o eme eme. Percebi que ele me atendeu sem muita disposição, mas, ignorei e perguntei se ele já havia visto a manifestação favorável do MP.

A resposta dele foi curta e seca SIM. Sem querer, ou melhor, sem perceber o nível de petulância, virei para o juiz, e perguntei “Quando então o senhor pretende decidir o caso?” Eu não sabia se a cara feia dele era de perplexidade, surpresa, ou vontade de me mandar para um lugar de pouco requinte.

Segui ignorando, e ouvi um quase “a hora que eu quiser”. Respondi que era uma pena, haja vista a urgência do caso.

Alguns dias depois, o juiz decidiu favorável ao meu cliente. Como diria o Gugu “Ponto para as meninas!!!”

Fora a alegria de ter o pedido atendido, ainda aprendi que juiz não morde, e que promotor pode ter até fama de semideus, mas, ó ele não é. É de carne, osso e ego igual de todo mundo (bom o ego é um pouco diferente, mas, não vem ao caso).

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