JUIZ CAGÃO:

Juiz tira um foto no banheiro pra mostrar que também é genteClique e leia

12 de set de 2014

DIÁRIO DE UM CONCURSEIRO – NÃO SEI FAZER PROVA, SÓ SEI FAZER AMIGOS

Essa semana fui fazer uma prova em Salvador. Era segunda fase e, como eu disse a vocês na coluna passada, ando meio surtada já há algum tempo, então não tinha a mínima ideia do que fazer. Como era um concurso que eu queria muito (como os outros 50 que já fiz), isso me deixou tensa. Eu tenho uma doença seria na língua, que faz com que eu não consiga ficar mais de um minuto e meio sem conversar (nem que seja só). Adoro viajar de avião por isso: quanto mais longa a viagem, mais eu importuno socializo com o passageiro vizinho.

Mas eu disse que eu estava tensa, e o resultado disso foi que eu não estava afim de papo com seu ninguém. Mas aí, ao meu lado tinha um casal... com um Vade Mecum!!! Os caras iam fazer o mesmo concurso que eu, o que pra mim foi péssimo. E por dois motivos: primeiro, porque eu já estava desesperada porque não tinha estudado. Segundo, porque como eu não tinha estudado, tive certeza que o casal estava mais preparado do que eu (depois eu descobri que estava certa). Soquei meu livro na bolsa antes que eles vissem e sentei muda no meu lugar pra não dar ousadia de puxarem papo comigo.

Como desgraça pouca é bobagem, notei que esse avião parecia ter sido fretado pela banca organizadora do concurso: a torcida do Flamengo, do Vasco, o Mestre dos Magos e companhia estavam indo fazer o mesmo concurso que eu. Já que não tinha muita coisa que eu pudesse fazer, comecei a rezar. E rezei para que o avião caísse e eliminasse (literalmente) uns 200 concorrentes. Se eu morresse também não teria problema, pois eu teria um motivo justo para não fazer a prova (e confesso que era tudo o que eu queria). Você deve ter percebido que o avião não caiu...

Cheguei a Salvador e inventei de economizar uma boa grana e arriscar pegar um ônibus até perto do meu hotel (antes que você me pergunte, conheço Salvador tanto quanto conheço a capital do Chile, Las Vegas). Mas aí adivinhem só quem apareceu para dividir o táxi comigo? Exatamente! O casal de concorrentes! Meu hotel era bem longe, e, como consequência disso, eles começaram a me interrogar sobre o concurso. Como a situação não podia piorar, resolvi fazer o que faço de melhor: amigos! E foi aí que descobri que o casal era gente boa!

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Me despedi, desejei boa prova (sinceramente) e, quando cheguei ao hotel, tinham umas 10 pessoas na recepção... falando do concurso, claro. Aproveitei que eu havia voltado quase ao meu normal e ofereci minha presença para acompanha-los até a prova, no dia seguinte.

Uma noite em claro depois, me encontrei com a turma de concurseiros e fomos andando, afinal, como eles disseram, “era pertinho”. A prova era de consulta, então eu levei a Livraria Saraiva. Só Vade Mecum eu levei 2. Saí arrastando essa tralha toda numa mala de rodinha. A última vez que eu tinha feito isso foi quando fazia a quarta série e ganhei uma mochila de rodinha da Turma da Mônica. Mas eu tinha amigos novos, então eles me ajudaram a carregar minha malinha de chumbo. Tá vendo como é bom fazer amigos?

Fiz a prova, suponho que zerei uma dissertação que valia nada menos que 4 pontos, dei uma banana para o concurso, reencontrei meus novos amigos de infância, fui consolada e fomos para o bar shopping. Lá eu acabei encontrando outro casal de concorrentes amigos! Meus novos amigos eram o máximo. Tive o melhor pós-concurso da minha vida!

Estávamos todos no mesmo voo de volta (outro fretado pela banca do concurso). No aeroporto, encontrei o casal do Vade Mecum de novo. Fiquei feliz ao saber que eles foram bem na prova (tô falando sério). Meus amigos do bar shopping também se saíram bem melhor do que eu. E, você acredite ou não, eu achei isso o máximo. Se não vou passar dessa vez, que pelo menos eles passem. Melhor do que fazer provas, é fazer amigos. Prova tem toda semana...

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