JUIZ CAGÃO:

Juiz tira um foto no banheiro pra mostrar que também é genteClique e leia

26 de set de 2014

DIÁRIO DE UM CONCURSEIRO – REPROVEI NO PORTUGUÊS

Isso mesmo. Ok, ok, isso não é novidade e você já sabia, certo? Palmas pra você! Se você leu minha última coluna (e aqui eu desejo com todas as minhas forças que você não tenha lido), sabe disso melhor do que ninguém.

Mas caso você não tenha lido, eu ainda tenho um mínimo de prestígio com você, afinal, a competência se presume. Eu bem que poderia aproveitar e tentar limpar a minha barra, mas não é o que vou fazer. Ao invés disso, vou dividir com você o meu problema (muito sério) com o português!

Só que antes, por preciosismo, vou lhe lembrar que sou formada em Direito, e não em Letras... mas aí, antes que apareça um monte de gente chata dizendo que mesmo sendo formada só em Direito eu preciso saber escrever, já vou dizer que nem se fosse formada em letras eu saberia. E, até o final dessa coluna, você vai concordar comigo.

No, sei lá, acho que quinto semestre do curso de Direito, lembro-me bem de certo professor de Penal que me botou de castigo e disse que iria me ignorar durante a aula. Nem lembro o motivo, mas adorávamos esse cara. No meio da aula ele esqueceu que eu estava de castigo e me mandou ler um artigo. E aí eu tive a péssima ideia de perguntar se era “pra mim ler” ou se ele ainda estava me ignorando. Cara, ele esbugalhou os olhos, me deu uma encarada mortal, começou a bater na própria boca enquanto dizia “u-uh-uh-uh” e começou a me chamar de Payakan e mandar eu fazer a dança da chuva! Eu juro. Foi uma crise de riso coletiva na sala de aula. Era gente literalmente chorando de rir! A minha pergunta acabou sendo inútil, porque eu não tive mais condições de ler mesmo. Mas foi um santo remédio. Nunca mais usei mim pra conjugar verbo (embora existam casos em que mim conjuga verbo sim)... Mas até hoje me chamam de índia...

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Mas a tal língua portuguesa não se resume a uma reles conjugação correta. E, esses dias mesmo, estava eu conversando com meu melhor amigo (que também é concurseiro) sobre a nossa evolução nos estudos. Fiz uma comparação de um concurso recente com nosso primeiro concurso, e soltei uma super pérola dizendo que a gente tinha subido uns “2 degrais”. Ele, que tem um português melhor que o meu (não que isso seja algo difícil), me olhou, fez cara de velório e disse que a gente tinha acabado de descer uns 3...

Eu poderia escrever uma coleção maior do que a do saudoso Pontes de Miranda (aquela com 60 volumes) só contando meus “deslizes” na Língua, mas não temos paciência espaço para tanto, então vou contar só mais um caso que prova pra vocês que português tem relevância prática se você pensa em passar num concurso.

Certa feita fui fazer um concurso que eu queria bastante. No meio dos concurseiros, esse cargo é bem cobiçado. A Banca era Cespe (se você é concurseiro, vai saber o que isso significa. Se não sabe, sorte a sua. Não serei eu a pessoa a acabar com sua visão de mundo perfeito). A prova era dividida em 3 partes: conhecimentos básicos (incluindo português), específicos e redação. Precisava fazer um mínimo de 60% em cada parte. Um amigo me disse pra gente focar nas específicas, que valiam 3 vezes mais do que as básicas. Português? Resolvi não perder tempo com isso, e estudar o que eu sabia menos...

A redação foi sobre um tema que eu sabia pra cacete muito. Não pense você que eu sabia alguma coisa. Eu não sabia absolutamente nada, mas o tema da redação eu sabia. Sambaria na cara do examinador. Foi sorte mesmo. Acho que tirando os erros de português fiz a melhor redação da minha vida! Também fui bem nas questões específicas. E aí eu passei! Passei a me lamentar por não ter estudado Português, pois foi por causa dessa praga que eu não fiz a nota mínima nas matérias básicas e reprovei no concurso. Simples assim!

O que eu fiz depois disso? Virei colunista do NED... e continuei reprovando nos concursos...

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