JUIZ CAGÃO:

Juiz tira um foto no banheiro pra mostrar que também é genteClique e leia

7 de nov de 2014

DIÁRIO DE UM CONCURSEIRO – ERA SOL QUE ME FALTAVA

 

Amigos de jornada, dessa vez eu não venho só desabafar. Eu venho pedir a ajuda de vocês. Vou explicar o que aconteceu e aí vocês veem se podem me ajudar. Essa semana saiu o edital de um concurso federal. Era a minha grande chance. Quer dizer, mais ou menos. Pra ser sincera, não espero de você mais do que educação, beijo sem paixão, crime sem castigo, um aperto de mão, apenas bons amigos. esse concurso nem é bem na minha área (na verdade, eu teria que estudar mais CINCO matérias... em 2 meses). Mas vocês sabem bem que todo concurseiro mais ou menos não pode saber que tem edital novo aberto na área que fica doido. No calor da emoção a gente às vezes se inscreve até em concurso pra homem-bomba. Atrevo-me a dizer, inclusive, que a frase mais orgástica que se pode dizer para um concurseiro é “viu que saiu o concurso...?”.

clip_image001Então, dava pra eu fazer esse concurso. Acho que não daria pra passar, mas como vivem dizendo que “ganhar não é tudo na vida e que o importante é participar”, fazer o concurso já seria meio caminho andado.

Quebrei meu porquinho, Consegui o dinheiro da inscrição e corri feliz que nem pinto no lixo da vida para me inscrever no site da banca organizadora. Ah, mas aí, de repente, não mais que de repente, havia uma pedra no meio do caminho. No meio do caminho tinha uma pedra. E a pedra era que eu tinha que dizer se era preta ou parda. Putz! A famigerada Lei de Cotas!!! E agora, senhoras e senhores? Eu sou preta? Ou parda? Sabe Deus (e acho que só ele mesmo).

Desisti de me inscrever naquele momento. E eu não estou sendo dramática. Pela nova lei, se eu for preta ou parda, tenho muito mais chances do que vocês, seus bestas. É sério, porque, na verdade, tenho 2 chances: uma pelas vagas normais e, se não der para passar, uma pelas cotas. Maravilha. Só que lá na frente, depois que você tiver passado, o cara da investigação social decidir que você não é da cor que diz, VOCÊ É ELIMINADO DO CONCURSO. Escorraçado. Expulso. Banido. E volta a ficar com uma mãozinha na frente e a outra atrás...

Ouvi a vida toda que eu sou meio amarela, e, antes que você faça piada, não é anemia (quer dizer, acho que não), é que eu sou do Norte, sou brava, sou forte e tenho sangue Tupi. Mas parda? Sei lá se eu sou parda. Quem sabe se eu soubesse que cor é “pardo” eu saberia se sou. Negra eu acho que ainda não sou...

Talvez com um pouco mais de sol os meus problemas sejam resolvidos. E digo mais: perfeitamente resolvidos, já que tudo o que eu quero é um lugar ao sol! Mas eu só vou ter tempo de ficar com a cara pra cima me bronzeando depois que eu passar no concurso. Até lá, tô amarela de desgosto com essas regras de concurso que a cada dia dificultam mais a nossa vida.

Não gostei dessa parada de cota por cores não. Agora formulário de inscrição para concurso parece um arco-íris. É mais importante conhecer as cores do que os assuntos. Na minha humilde opinião, acho que deveriam criar cotas pra quem estuda...

E eu não estou sozinha nessa. Quando cheguei no cursinho, achei um amigo com cara de besta lá na lanchonete. Ele estava desorientado, pensei até que tinha levado um par de gaia fora. Mas a verdade é que ele veio me pedir ajuda pra saber se era pardo...

O que ele decidiu? Eu realmente não sei, já que desisti do concurso e vou sair do cursinho para ganhar tempo de ir à praia. Nunca passei estudando, talvez passe me bronzeando. Ao invés de ouvir professor, vou é seguir o conselho do Jota Quest, e, se você quiser saber pra onde eu vou, pra onde tenha sol, é pra lá que eu vou...

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