JUIZ CAGÃO:

Juiz tira um foto no banheiro pra mostrar que também é genteClique e leia

23 de jan de 2015

JOVEM É ACUSADO DE FORMAÇÃO DE QUADRILHA APÓS CURTIDAS NO FACEBOOK

Jelani Henry, 22, cresceu no Harlem, em Nova York –área conhecida pela atuação de gangues. Na adolescência, ele e o irmão fizeram parte do "Goodfellas", grupo de garotos de sua vizinhança unidos para se proteger em brigas contra rivais.

Em 2012, ele foi preso e acusado de formação de quadrilha com base em fotos no Facebook com o símbolo do "Goodfellas" e "curtidas" em postagens relacionadas ao grupo.

Leia o depoimento de Henry:

Quando criança, eu vivia na rua 129, entre a Quinta Avenida e a Lenox [no Harlem]. Meus amigos eram garotos da escola, dos torneios de basquete ou que viviam na vizinhança. Quando ficamos mais velhos, começamos a ir a festas —é isso que você quer fazer quando é jovem—, encontrar garotas e tal.

Todo mundo estudava nas mesmas escolas. Se a irmã de alguém vai para a minha escola e eu mexo com ela, alguém vai dizer para o cara e ele vai querer brigar. Não adianta você tentar explicar que não foi nada disso —e aí eu ia bater no cara e ele ia reunir os amigos para me bater.

E então eu reúno os meus amigos para dar o troco. Era assim que a coisa crescia.

Mas eram essas coisas bobas: olhar feio, pisar no tênis novo de alguém etc. Não sei como a coisa aumentou. Acho que ninguém saberia dizer.

JELANI HENRY

Jelani Henry, jovem preso em Nova York com base em 'curtidas' de Facebook

Comecei quando eu tinha uns 14 anos, eu não podia andar até a loja da esquina sem entrar numa briga. Sempre que saía do meu prédio tinha que olhar para os dois lados

Eu tinha medo de ir para a escola naquela época. Sabia que tinha que me proteger, ter um grupo para me ajudar. Os "Goodfellas" eram pessoas com quem eu cresci, mas eu não estava fazendo as mesmas coisas que todos eles.

Em fevereiro de 2012, meu irmão foi preso com umas 20 outras pessoas. Alguns foram acusados de tentativa de homicídio e porte de armas, mas a maioria foi presa por estar em fotos com o símbolo dos "Goodfellas", sob a acusação de formação de quadrilha. As imagens tinham sido feitas três ou quatro anos antes.

No dia 20 de abril de 2012, foi a minha vez. Quando a polícia veio procurar, achei que era porque não compareci à corte depois de pular a catraca do metrô. Mas eles me disseram que eu estava sendo acusado de atirar em duas pessoas umas semanas antes. Uma testemunha apontou minha foto entre seis, dizendo que me reconheceu.

A promotoria usou fotos e "curtidas" no Facebook para dizer que eu tinha participação na violência entre gangues, mas eu nunca soube exatamente quais. Eu aparecia em fotos com pessoas que tinham sido indiciadas, em festas ou nas ruas, mas não havia violência. O juiz negou meu direito à fiança.

NA PRISÃO

Passei 18 meses preso —meus aniversários de 20 e 21 anos foram lá— e me envolvi em muitas brigas. Você vai tomar banho e vê detentos apanhando dos guardas, de outros presos. Por causa disso, fiquei nove meses na solitária e sou réu em outro processo.

Fui para o inferno e voltei, nem sei como explicar, foi muito assustador. Já estou em casa há mais de um ano e ainda penso nisso todos os dias. No futuro, se eu fizer qualquer coisa estúpida, essa será a consequência. Hoje, se alguém me bater, vou cair no chão e chorar, não vou lutar.

Lá dentro tive muito tempo para pensar. Decidi que quero ser DJ e barman, estou correndo atrás. Também quero estudar algo relacionado à indústria automotiva. Essa história já me tirou demais, quero deixá-la para trás.

Ainda uso redes sociais, mas muito pouco. Fui preso por causa do Facebook e nem sei exatamente por quê. Tenho mais de 2.000 amigos no perfil, pode ser até coisa de gente que eu não conheço. As pessoas curtem coisas só por curtir. Por que não? É para isso que existe o Facebook.

FORÇA-TAREFA QUIS REDUZIR VIOLÊNCIA ENTRE GANGUES

As prisões de Asheem e Jelani Henry foram parte de operações da polícia e da promotoria de Nova York para conter a violência entre gangues em áreas onde a criminalidade não caía, ao contrário da tendência do resto da cidade.

Fonte: Folha de São Paulo

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