JUIZ CAGÃO:

Juiz tira um foto no banheiro pra mostrar que também é genteClique e leia

10 de fev de 2015

DIÁRIO DE UM ESTUDANTE – EU SÓ QUERIA TER MENOS CONCORRÊNCIA

Olá povo bonito! Quem ainda tá de férias levanta a mãããão \ô/

Sim queridos, minhas aulas só retornam após o Carnaval, juntamente com a chegada de 2015, porque isso é Brasil e aqui o ano só começa depois de samba, bebedeira, pegação e DSTs rolarem soltos por 4 dias.

Já disse a vocês que não sei como fui cair no Direito, pois advogada nunca foi minha resposta quando me perguntavam o que eu queria ser quando crescer. Quando cheguei ao ensino médio, tudo que eu queria era uma profissão que eu não tivesse que disputar uma vaga com outras 15602304 pessoas. Irônico, não? Pois é. Essa semana li uma matéria dizendo que até 2018 o Brasil terá nada menos que 1 milhão de advogados. 1 MILHÃO!

Dá até pra montar um coral e cantar aquela musiquinha do Roberto Carlos “Eu quero ter um milhão de amigos, e bem mais forte poder cantaaar...”.

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Atualmente temos 750 mil estudantes de Direito no país, distribuídos em 1.120 faculdades de Direito. Se você acha que nem é tanto assim, eu te digo que esse número é maior que o número somado de faculdades de Direito de países como China, Estados Unidos, Alemanha e França.

Isso significa que além dos 835 mil advogados já existentes (mais os 30.049 aprovados no último exame da ordem), temos uma porcentagem (espero que pequena) desses 750 mil estudantes com quem vamos disputar clientes e vagas em concurso, considerando que nem todos consigam ou desejem a carteirinha cor de rosa. Vai ser mais fácil concorrer à São Silvestre.

É nesse momento que eu paro, respiro fundo e penso: Porque raios eu não escolhi Engenharia? Não dava pra ter escolhido erguer prédios em vez de pilhas de processos? Eu não poderia ter nascido pra salvar vidas ao invés de resolver tretas?

Aí no final dessa matéria que eu li, um “consultor” dá algumas dicas de como se destacar nesse mercado competitivo. Eu digo consultor entre aspas porque o que ele diz não é nada diferente do que eu ouço dos professores todos os dias, que é basicamente: treinar escrita, ser autodidata, buscar notas altas, treinar oratória e blá blá blá blá. Mas um trecho que me chamou a atenção foi: “Não dê aula, dê show. (...) Ao expor um trabalho, faça-o com o máximo de conhecimento. Prefira fazê-lo individualmente, ao invés de reunir um grupo e fracionar a apresentação”. Traduzindo: Seja um FDP egocêntrico, mande seu grupo à merda e faça tudo sozinho pra mostrar que você é melhor que todo mundo. Juro que fiquei esperando a parte que ele diria pra ir de terno pra faculdade e chamar os coleguinhas de doutores. (Doutor Coxinha curtiu isso).

Agora, deixa a titia falar uma coisa: o buraco é mais embaixo. Todo mundo sabe que os grandes escritórios não estão nem aí se você estuda 25 horas por dia e ainda faz hora extra, e alguns nem querem saber se suas notas são todas acima de 9: se você estudou numa faculdade particular qualquer, não é bom o suficiente pra eles. Seu cliente não vai querer saber quantos títulos você tem, se outro escritório cobrar mais barato é pra lá que ele vai. Triste realidade.

O que fazer? Senta e chora, amiguinho. E que a vida seja pelo menos generosa com a gente quando o quinto ano chegar ao fim.

Um beijo e um cheiro, e até semana que vem!

Assinatura Aline

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