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17 de mar de 2015

UNIVERSIDADES PÚBLICAS SÃO AS QUE MAIS APROVAM NO EXAME DA OAB

As faculdades de Direito que mais aprovam no exame da OAB não treinam seus alunos para a prova nem oferecem material de estudo focado no assunto. Elas estão em universidades públicas e tem em comum a valorização do relacionamento professor­aluno, além do investimento na especialização dos docentes e na pesquisa. Na Universidade Federal de Viçosa, onde 77% dos inscritos no exame nos últimos três anos foram aprovados, o chefe do departamento de Direito, Guilherme Nacif, diz que o bom resultado se deve ao método que chama de "direito artesanal", definida por ele como uma forma mais humana de ensino, com bastante interação entre alunos e professores. A estratégia, de acordo com Nacif, começou na década de 50, na Universidade de Purdue, nos Estados Unidos. Naquela época, a faculdade passou a exigir que o professor reservasse horários durante a semana para resolver dúvidas com os estudantes de forma presencial. Hoje, a Federal de Viçosa tem 19 professores para atender 326 alunos, proporção que Nacif considera "confortável". Para garantir o "ensino artesanal", a escola segura os jovens por mais tempo do que as demais. O chefe de departamento prega que os estudantes comecem a trabalhar na área apenas após o oitavo período e admite que dificulta o ingresso em estágios com uma carga horária apertada nos primeiros anos de curso. "Quando os alunos vão para fora, não temos controle sobre o que ele recebe como orientação", justifica Nacif. "O aluno pode estar aprendendo um vício em vez de algo pensado. Se ele vai muito cedo, não possui raciocínio crítico sobre o que está fazendo.

faculdade

A falta de controle sobre estágios é um problema que a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto resolveu recentemente, de acordo com o diretor da escola, Umberto Celli.

A escola, com 73% de seus alunos aprovados nos últimos três exames, passou a firmar convênios com escritórios de advocacia e repartições públicas onde os alunos trabalham. O novo termo de estágio aprovado pela faculdade fez com que a avaliação do estagiário ficasse mais rigorosa ­ com notas de desempenho que são dadas pelo coordenador do estágio no local de trabalho ­ e estabeleceu um limite de 12 horas semanais dedicados à atividade. "O que tem funcionado é um contato estreito com as entidades nas quais eles fazem estágio," conta Celli. Assim como na Universidade Federal de Viçosa, na USP de Ribeirão Preto a relação próxima entre alunos e professores também é valorizada, de acordo com Celli.

Os alunos começam a estagiar no terceiro ano, mas antes disso são incentivados a mergulharem no universo acadêmico. "Essa relação próxima entre professores alunos é muito importante." Exceção. A Universidade Federal do Pernambuco (UFPE), que teve 70% de seus alunos aprovados pela OAB nos últimos três exames, é a exceção da regra quando o assunto é proximidade entre alunos e docentes. "A gente não tem essa prática, não", diz o professor Artur Samford. A explicação para o bom desempenho de um dos cursos de Direito mais antigos do Brasil está na qualidade dos estudantes e no incentivo à pesquisa. De acordo com Samford, os próprios alunos criam, por iniciativa própria, grupos de estudo independentes. Para ele, essa autonomia demonstra que os estudantes da UFPE já chegam na universidade com a "cultura de estudo." "A pesquisa desperta a pessoa para raciocínios de maior velocidade, perceber as coisas de maneira mais fácil", diz o professor, que também vê no vestibular uma boa ferramenta para garantir a qualidade do curso. A vice­diretora da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Juiz de Fora, Raquel Salles, concorda. "Acreditamos que se deva ao difícil ingresso", responde a professora sobre o fato de universidades públicas terem os cursos que mais aprovam no exame da OAB. "O nível dos ingressantes é muito bom."

Fonte: Estadão

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