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28 de ago de 2015

ADVOGADO RECEBE AMEAÇAS APÓS POSTAGEM DA POLÍCIA MILITAR NO FACEBOOK

Uma charge de 2012 compartilhada pelo advogado Ariel de Castro Alves em seu perfil pessoal no Facebook, após a série de ataques de Osasco e Barueri, em que 18 pessoas foram mortas e há suspeita de participação de policiais nos crimes, causou indignação na PM-SP (Polícia Militar do Estado de São Paulo). A corporação divulgou uma nota contra o coordenador do Movimento Nacional de Direitos Humanos em São Paulo e membro do Condeca (Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente), que, desde então, passou a receber ameaças.

pm

“É de se lamentar o fato de uma pessoa que se diz defensora dos direitos humanos generalizar toda uma classe de trabalhadores por conta de atos supostamente praticados por bandidos que integram temporariamente a Instituição”, afirma a nota assinada pelo Centro de Comunicação Social na noite de quinta-feira (20). A postagem ainda inclui um print screen da página do advogado, com sua foto e nome completo.

O advogado afirma que, após a postagem divulgada na página da corporação, recebeu várias mensagens intimidatórias. “Rapidamente minha página passou a receber dezenas de comentários, chegando quase a 200 comentários na própria postagem da charge ou em outras postagens. Algumas ameaçavam minha integridade, outras me ofendiam com xingamentos e outras me ameaçavam de processos e representações na OAB. A maioria dos autores das mensagens, pelos seus perfis no Facebook, possivelmente eram policiais militares. Em razão da polêmica e da repercussão apaguei a postagem com a charge no mesmo dia”, afirmou à Ponte Jornalismo.

post ariel

Nota divulgada pela Polícia Militar

Uma nota foi enviada à SSP (Secretaria da Segurança Pública) na sexta-feira (21) por Alves. Ele pede que a corporação publique a nota para esclarecer o mal entendido. “Não tive a intenção de promover ofensas, discriminações ou estigmatizações generalizadas com relação à Polícia Militar, seus trabalhadores e trabalhadoras e mesmo quanto aos seus símbolos. Minha única intenção foi apresentar meus protestos com relação à possível participação de alguns maus servidores públicos da PM, ou de outras instituições, em chacinas, grupos de cxtermínios e em execuções sumárias, conforme as apurações em curso na cidade de Osasco, além de casos já comprovados no passado”, disse.

“Jamais imaginei que a postagem de uma charge satírica geraria tantas manifestações. Essa charge, que não é da minha autoria, circula na internet e nas redes sociais desde 2012 e nunca tinha gerado essa repercussão. Sempre posto charges referentes à corrupção na política, violência policial, redução da maioridade penal, sobre intolerância e injustiças”, diz o advogado.

Procurada pela Ponte Jornalismo, a Polícia Militar não se manifestou sobre o caso até a divulgação desta reportagem. Para o ouvidor da Polícia de São Paulo, Julio Cesar Neves, “a Polícia Militar do Estado de São Paulo tem o direito de se expressar, mas a nota divulgada é arriscada. Porque é uma indução ao erro por parte de outras pessoas”, disse. “É claro que o Ariel não teve intenção de promover ofensas. Isso daí tem que ficar claro para o comando da PM. Eu acredito que, se a Polícia Militar se sentiu ofendida, tinha que ter processado aquele suposto autor da charge por crime contra honra. Não divulgar uma nota que pode induzir pessoas ao erro.”

Fonte: Revista Fórum

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