JUIZ CAGÃO:

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29 de out de 2015

ASTOLFO DIDO - O DIA QUE EU FUI EXPULSO DA SALA DE AUDIÊNCIA

Amigos depressivos da universalidade jurídica, novamente me encontro aqui neste espaço que mais parece um muro de lamentações do que um ambiente para discussão de assuntos relevantes.

Hoje contarei para todos sobre o dia que eu fui expulso da sala de audiências e confesso que não é nada legal acontecer isso.

Todos sabem que eu tenho poucos clientes e os que eu tenho não são os mais selecionados, via de regra eu aceito patrocinar as causas daquelas pessoas que já passaram em vários advogados e nenhum quis “assumir a bronca”, assim todo dia é um aventura aqui no escritório.

Pois bem, era uma audiência de família e se você nunca fez advocacia de família, não sabe o que é barraco, “é muita treta meu irmão”, como dizem meus clientes.

Tudo corria bem, eu havia copiado do google um boa defesa e que por sorte encaixava no meu caso, já tínhamos ouvido as partes e então o meritíssimo juiz questionou novamente sobre um eventual acordo, minha cliente fez a proposta, a parte contrária aceitou e tudo estava lindo.

Até que minha cliente cochicha em meu ouvido: “doutor, se ele aceitou fácil assim é porque ele tá com dinheiro, diga que não quero esse acordo, aumente o meu pedido em x reais”

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Tentei dizer que era arriscado, mas ela gritou comigo e me obrigou a falar que voltava atrás da proposta. Assim o fiz, disse para o juiz que não aceitava e queria tantos mil a mais.

O juiz já contrariado perguntou à parte contrária se essa nova proposta era viável e novamente ele consentiu.

Até fiquei feliz, pois meus honorários iam aumentar. Ate que…

Novamente a minha cliente diz: ahhh tá muito fácil, esse cachorro tá rico mesmo, pede 2 vezes esse valor senão nada feito.

Eu implorei para ela aceitar o segundo acordo, mas ela novamente gritou comigo e eu comuniquei o juízo, que por óbvio se irritou comigo e disse que o poder judiciário não era balcão de comércio para negociar.

Pedi desculpas e disse que estava expressando a vontade de minha cliente. Ele ainda que contrariado perguntou minha nova proposta, apresentei e ele perguntou para a parte que disse que era elevada demais, que era absurda e todo aquele chororô.

E mais, disse que estava lá de boa vontade, mas percebeu que minha cliente estava zombando dele e retirou qualquer proposta que tenha sido feita anteriormente e pediu que o feito fosse para julgamento.

Sabe aqueles desenhos animados que passam um saco de moedas de ouro voando das mãos do personagem? Então me vi nessa situação, tinha perdido todos os meus honorários, mas decidi que não ia perder sem lutar.

Gritei: EU PROTESTO EXCELÊNCIA! Minha cliente é inocente e deve receber o que foi prometido antes.

O juiz gritou dizendo que eu não estava nos Estados Unidos, e que a parte não era obrigada a aceitar acordo.

Então direcionei minha fala para o advogado da parte contrária e tentei convencê-lo de que a segunda proposta de acordo ainda era boa pra ele.

Percebi que enquanto eu falava com o advogado, minha cliente puxava insistentemente meu paletó, mas eu queria meus honorários e a ignorei.

Depois de alguns minutos de negociação o advogado aceitou a proposta e eu respirei aliviado, novamente pensando em como gastar meus honorários. Até que a parte (minha cliente) pede a palavra e diz: “seu juiz, pensei bem e não quero mais esse valor não, ele já me ajudou muito, podemos fechar pelo primeiro valor que eu pedi”

Nesse momento, dominado pela ira só me lembro de ter gritado com minha cliente: não faça isso sua filha da puta.

E foi assim que eu fui expulso da sala de audiências.

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