JUIZ CAGÃO:

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17 de fev de 2016

MARISSOL FRIDA, A ESTUDANTE DE DIREITO – AS FÉRIAS ACABARAM

Hello amiguinhos do fantástico universo jurídico e doutrinário desse Braseel!

Primeiro post, então vamos às apresentações. Eu sou a Marissol Frida, estudante de Direito. Elle Woods do filme Legalmente Loira foi inspirada em mim e na minha vida, (só que eu tenho mais melanina) que parece mesmo um filme, mas na vida real, é bem mais legal e interessante e eu estou escrevendo pra provar isso.

Entrei na Faculdade de Direito por livre e espontânea pressão da minha mãe. Ela não aguentava mais me ver passando as manhãs nos salões de beleza, as tardes fazendo compras no shopping, e as noites bebendo Dalmore pelos bares mais chiques da cidade, tentando gastar pelo menos um pouco da herança bilionária do meu ex-marido e tentando suprir a dor da viuvez.

Ah sim, eu fui casada com um bilionário. Fui pedida em casamento quando completei 16 anos e me parecia uma ótima oportunidade de sair da pobreza do bairro que eu morava. Eu não aguentava mais aqueles carros rebaixados tocando funk. Semana passada, passei na rua que eu morava e estava tocando Baile da Favela. Argh. Eu tinha 19 anos e ele, 52, quando cheguei a nossa casa e o encontrei morto na banheira. O caso está sendo investigado pela policia e pelos peritos, apesar de os médicos legistas acreditarem que foram por causas naturais.

Apesar de começar a faculdade contrariada, minha mãe estava certa. Identifiquei-me com o curso e passei a beber menos. Às vezes ainda chego meio torta na aula, mas passei a ter um objetivo e tudo se tornou mais fácil. Agora rumo à sétima fase, acho que finalmente me encontrei.

Semana passada começou minhas aulas e apesar dos três meses de férias, parece que tudo continua do mesmo jeito. Esse semestre a professora que eu era apaixonada na 4ª fase vai me dar aula de Processo Penal e por isso, já estou in love por essa matéria. Ela é tipo uma diva dos anos 60, que usa aqueles cabelos estilo Marilyn Monroe, sobrancelhas arqueadas, está sempre de salto alto (a-m-o), e roupas super fashionistas que realçam suas curvas. Eu fazia questão de tirar nota máxima nas provas dela só pra impressiona-la e cheguei a mandar um buquê de flores pra ela no dia dos professores. Ela é tipo, minha ídola.

Além da minha diva, terei aula de Direito da Família e Estagio I com duas professoras que já me deram aula em semestres passados e não vão muito com a minha cara. Não sei exatamente se elas têm inveja da minha coleção de bolsas Prada ou dos meus sapatos Jimmy Choo. Não tenho culpa se elas têm mau gosto. Lembro-me de uma delas ter ido dar aula com uma camiseta escrito Jack Daniels e uma calça legging estampada floral. Bem refinada pra uma professora de Direito... Mas pelo menos ela não apareceu com uma blusa estampada com folhas de maconha, como uma professora centenária que me deu aula no primeiro semestre. Tadinha... Acho que ela não fazia ideia.

legally-blonde

Meu professor de Processo Civil é um gato. As garotas da minha sala ficam babando enquanto ele faz a chamada e chama o nosso nome minuciosamente como se soubesse que aquilo faz nosso coração bater mais rápido. Usa aquela barba rala que deixa até os homens feios, bonitos. Acho que ele sabe o efeito dele sobre mim, porque quando precisa usar alguém de exemplo, sempre usa o meu nome. “Se a Marissol aciona Ticio pelo processo ordinário, o réu no prazo de 5 dias nomeia à autoria Mévio, então o Juiz Caio...” Ai meu coração seu cretino!

Sobre meus colegas, contarei aos poucos. Alguns nem valem a pena serem citados. Mas nesse post vou falar da minha melhor amiga, a Barbie. Esse foi o apelido que eu dei a ela. Ela é loira, tem aplique nos cabelos, magrinha, cintura fina, e nariz empinado. Nós duas formamos uma dupla e tanto. Quando saio com ela pelos corredores da faculdade me sinto como naquela cena do filme as panteras detonando, em câmera lenta e os cabelos voando. Ela tem um mustang vermelho e faz questão de estacionar onde todos possam vê-la chegando e saindo. É dona do nariz dela e faz os caras de gato e sapato. Gosto de sair com ela porque ela tem bom gosto e também não se contenta com uma Heineken. Bebemos os whiskies mais caros e as comidas mais requintadas, como merecemos.

Na sala de aula somos centradas e dedicadas. Os professores, tirando os malcomidos e invejosos, costumam gostar de nós. Quando a lambisgóia da Cristina, um projeto de patricinha fifi, chega com aquela maquiagem ridícula de quem foi pra balada noite passada e ficou com preguiça de lavar o rosto, a gente só se olha. Ela sabe que eu estou mentalmente pensando oh my God e eu sei que ela está mentalmente me respondendo chocada miga! Uma looser do mais baixo nível.

Whatever, temos um grupo da nossa turma no whatsapp que mais serve pra promover desavenças do que para ajudar um ao outro de alguma forma. As únicas vezes que nos unimos é na hora da prova que não existem inimigos. Mal conseguimos fazer um churrasco para reunir a galera porque sempre tem alguém semeando a discórdia e acabando com a alegria alheia. Eu não costumo mesmo responder, porque me sinto constrangida de ficar mexendo no meu Iphone 6s na frente deles. Tenho impressão que vou ser assaltada a qualquer momento da forma como eles me olham.

Na aula de sexta, estava eu admirando a minha diva, quando recebo uma SMS. Nem lembro a ultima vez que alguém me mandou uma SMS, com exceção da operadora. Mas era de um número que não constava na minha agenda e dizia

“saudades de mim? Não vejo a hora de te ver de novo. Vai pagar pelo que fez sua patricinha ridícula!”

Meu coração disparou. Eu não conhecia aquele número e não fazia ideia do que estava falando. Adicionei à minha agenda pra ver se aparecia a foto no whatsapp e nada. O telefone piscou de novo e eu abri a mensagem

“hahahaha sua cara está hilária. Não vai descobrir tão fácil, otária.”

Fiquei em estado de choque olhando pra todos os meus colegas dentro da sala, tentando descobrir quem estaria fazendo aquela brincadeira sem graça. Ninguém olhava pra mim, exceto pelo Felipe que me olhava de canto, tentando entender minha confusão. Não era ele. Ele é meio mocorongo, cdf. Só podia ser a lambisgóia da Cristina. Aiin, eu ia arrancar aqueles cílios postiços de uma semana fio a fio!!!

Precisava me acalmar. Sou decente, não iria me rebaixar ao nível daqueles imbecis. Iria cedo à delegacia no outro dia pela manhã e tentaria descobrir de quem era o número. Eu tinha um professor delegado que vivia me paquerando, e talvez, se desse uns sorrisos mais maliciosos, ele pudesse me ajudar. Um café da Starbucks me cairia bem agora. (continua no próximo post)

Se você estuda, sua vida muda.

Marissol

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