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11 de abr de 2016

Detento da Papuda é aprovado com bolsa integral para curso de direito

Um detento do Complexo Penitenciário da Papuda conseguiu bolsa de estudos integral para cursar direito no Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), no Distrito Federal. Sem estudar desde a quarta série do ensino fundamental, ele completou a formação no Centro de Detenção Provisória por meio de um programa de amparo a presidiários, antes de tentar a vaga na instituição.

As aulas do primeiro semestre começaram no dia 26 de fevereiro. O homem de 43 anos cumpre pena de 19 anos de prisão em regime aberto por formação de quadrilha e assalto a banco. Ele trabalha desde 2011 na Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso do Distrito Federal (Funap).
Desde fevereiro, a rotina dele é dividida entre o trabalho, durante o dia, e o estudo à noite em uma faculdade da Asa Sul. "Eu tive essa oportunidade agora, coisa que eu não almejava. Isso vai fazer diferença na minha vida e em todo o sistema prisional", afirma.
Antes da aprovação, ele fez um cursinho pré-vestibular oferecido pela Funap, instituição vinculada à Secretaria de Segurança Pública que promove a inclusão social de presos e egressos do sistema prisional. Outros 80 detentos frequentaram as aulas do curso preparatório. Além dele, outros quatro conseguiram a bolsa integral na faculdade.
Em 2010 e 2011, o detento foi aprovado no Enem e conseguiu bolsa de 50% para cursar serviço social em uma faculdade particular do DF. Como não tinha condições de arcar com o restante da mensalidade, ele dispensou a oportunidade.

O futuro advogado diz que por enquanto se concentra nas aulas, mas já tem planos para o futuro. "Saio de ônibus do trabalho e vou direto para a biblioteca da faculdade, antes de começarem as aulas. Quando terminar o curso, em 2020, quero ter minha carteirinha da OAB e, quem sabe, tentar um concurso público." A pena dele progrediu para o regime aberto em 2011, quando começou a trabalhar na Funap.
Na Papuda, o detento trabalhou em oficinas de fábrica de bola de futebol, serigrafia e confecção de redes esportivas antes de conquistar a progressão de regime. "Agora preciso trabalhar e estudar. Separo meu horário de almoço para estudar e durante o final de semana completo as leituras em casa." O detento mora com a mulher e duas filhas, de 10 e 2 anos, em um barraco construído na cidade Estrutural.
Desde 2015, a instituição de ensino tem convênio com a Funap. Anualmente, cinco bolsas são oferecidas para internos do sistema prisional do DF. Os cinco primeiros detentos a estudarem no IDP entraram no primeiro semestre de 2015. Em 2016, outros cinco foram selecionados.
O processo de admissão dos detentos acontece uma vez ao ano e oferece aos alunos completo acesso às instalações da faculdade, segundo o órgão. Os detentos cursam os cinco anos da graduação nos turnos da manhã e da noite.
Os horários são determinados pela Secretaria de Justiça, que ajuda os detentos a conciliarem trabalho e aulas. Segundo o IDP, apesar de recente, o convênio tem registrado “experiências positivas” e “alunos de destaque”.
Fonte: G1

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